segunda-feira, 25 de abril de 2011

Os três motivos do caminho na arte

O que se valoriza hoje é a trajetória. Qual foi o caminho percorrido, "como" se chegou até ali. E isso ocorre, dentre outras coisas, por três fatores que observo: 1) com as novas tecnologias de comunicação e informação, tanto o armazenamento, quanto a reprodução impressa ou física de obras, quanto a possibilidade de se guardar ao menos o registro de uma performance, por exemplo, tudo fica passível de se construir narrativas. Essas histórias podem ser planejadas ou o artista pode reconhecê-la ao compor sua linha do tempo ou mesmo, outras pessoas visualizam e o autor mesmo, não vê, viu, se importa ou se importou.

Quando Escher virou "Escher"?
Em visita a exposição de M.C. Escher no CCBB de São Paulo (até 17 de junho) - saiba mais - um artista conterrâneo que mora em Sampa desde 2007 - Alessandro Corrêa, dizia sobre como é interessante rever o trabalho de um artista de grandeza e notar quando ele deu o "pulo do gato", quando ele virou Ele. Por coincidência, estávamos num local de comprovação de seu pensamento. As primeiras experiências do mestre holandês era dispersa e não necessariamente experimental - algo que povoou sua vida e maravilhou de artistas sensíveis a homens da matemática e física. Mas de repente suas xilo e litogravura apareceram com uma verdadeira aurora de trabalhos magníficos e redentores. Conhecia o velho Escher desde os tempos da faculdade de comunicação, nas aulas do Potiguara, mas não imaginava a técnica empregada.
Aliás, as imagens me instigaram muito e sempre achei que fossem desenhos a lápis - hahaha. Que nada. Escher usou suas mãos como nenhum outro - claro, eram suas! São detalhes inacreditáveis e um cálculo precioso que hoje é mais ou menos possível de serem feitos em massa - a reprodução nega a qualidade na maioria das vezes. Nossa alma contém o software dessa máquina, talvez nem todos tenhamos a mesma atualização ou facilidade em manejar o programa. Como nas NTCIs, tudo também depende do gênio que nos habita! Criatividade e técnica na harmonia de cada um.

Liberdade (SP) - Zico - Graffiti - Foto - Blog - Trajetória on/offline
2) Nunca estivemos tão perdidos\achados no emaranhado que se forma com a cultura digital-urbana da segunda década. As redes permitem a troca de informações que nos levam a portas e galerias, salas e travessias. Essas informações partem tanto do mundo ciber, quanto do tangível, um e outro se justapõem no imaginário individual, mais até que do coletivo. Algo se realiza nas ruas, no ateliê, nos teatros e logo, se realiza na rede, claro em doses menores, mas nem por isso é possível medir o grau de relação de cada um com o conteúdo. A presença não implica necessariamente a vivência, afinal, viver algo está muito além do que os olhos vêem, passa por processos mais complexos e indizíveis no interior/exterior de cada um. E, claro, vários algos também se realizam na própria internet, um lugar comum com afinidades, trocas, realizações e que de lá, partem para o mundo tangível, intervindo na configuração massiva, no peso da Terra. Esse é o segundo fator para a valorização da trajetória, do caminho. Todavia, dessa vez polissêmico, geográfico, desterritorializado, mas possível de ser marcado, demarcado, informativo, comunicativo.
Até chegar a esse post, o caminho percorrido disso (ich, ID), tendo a imagem do Zico como referência magna e transcendente, passou pelos seguintes processos: havia em mim o desejo de obter uma imagem para fazer um stencil (estava em uma oficina da própria Priscilla de Paula); convoquei meus sentimentos e percebi que gostaria de me arriscar nas ruas com algo que falasse pra\de mim e para as pessoas que passassem pelo local de aplicação. O Flamengo e Zico são forças de sentimentos que não consigo chegar ao seu princípio, tento racionalizar (aqui), mas são tudo ideias. Era o que eu precisava para me sentir um artista urbano. Nisso, me lembrei de uma bandeira que havia no Japão, em que a imagem do galo estava estampada como o stencil que queria. Como uma imagem razoável no google, procurei uma qualquer do craque. Encontrei a ideal e trabalhei no photoshop até se tornar monocromática. Utilizei uma impressora em rede para obter a imagem no papel e depois catei uma tampa de papelão da caixa de chamex da agência - trabalhava na Trópico Propaganda na época. Cortei a figura com um estilete e sai para as ruas feliz da vida. Ao longo de um ano e meio desenhei o Zico em vários locais da cidade, primeiro aplicando-o diretamente, depois em um papel - transformava a coisa em um cartaz. Adorava ver o perecível atuando, anônimos, como eu, arrancando aos poucos o que ali colocara arbitrariamente.

Depois, alguém levou-me a máscara original (o molde) e por conta de uma foto que havia tirado como registro, fiz outro Zico, só que em dimensões um pouco menores que o primeiro - vi isso só depois. Assim, em janeiro de 2009, um pouco alto por beber durante um sábado a tarde, escrevi o Zico em uma parede do bairro da Liberdade, em São Paulo. Semana passada, depois de uma virada cultural muito foda, andando pelo bairro oriental, revi o stencil. Havia esquecido, claro - a trajetória e a memória são impermanentes. Assim, registrei a foto como um anônimo novo-fotógrafo que clica para qualquer coisa que mexe, mas para mim, com um significado ainda mais profundo. A ideia de escrever sobre isso (o que faz parte do caminho também) não estava planejada de anti-mão. É uma quadra que marquei agora no endereço desse blog.

3) Se o primeiro aspecto está ligado às ferramentas e o segundo, ao processo de comunicação híbrido, a terceira característica que impõe a trajetória como ponto de reflexão, exaltação e análise é a vontade de ação/interação com o mundo/consigo. Observem que não é o processo de comunicação, mas a energia, a força que está por detrás de cada fonte de criação/reprodução. Hoje, além de consumidores de conteúdo, somos "livres" para interferir no mundo que nos cerca, somos produtores de subjetividades, de mundos. Uma teoria econômica talvez pudesse atribuir a característica simplesmente ao capitalismo e as portas abertas que o capital proporciona - toda ação quer um resultado econômico, independente do valor e da interface dessa valorização. Mas não! O inconsciente, o inconformismo, o ideal utópico, o não-sei-o-que-me-coça-tanto, tudo isso são quartz de átomos que pululam no plexo solar de cada um, nos indicando o desejo de reconstruir a todo momento nosso mundo, nossa vida. É, sim, a busca de nosso caminho, a busca do TAO - indizível, invisível, porém determinante. E ela acontece quando nos informamos e somos fonte de informação, quando pensamos e interrompemos o pensamento, quando agimos e deixamos de agir. É um movimento ininterrupto e estático ao mesmo tempo, uma contradição, uma força em si, o caminho, a verdade e a vida - mesmo que eu não saiba o que!

Feliz Páscoa, que renasçamos no aqui/agora!

João Paulo de Oliveira
@Jkerouac

sábado, 9 de abril de 2011

Em mundos falsificados, cunho pequenos donativos - Allen Ginsberg

Bicha, comunista e maconheiro. Um desses adjetivos apenas poderia significar a morte social para qualquer ocidental no pós-II Guerra. Na Europa, Turing, inventor da calculadora, cometeu suicídio após sua homossexualidade ser revelada. Na América, o semblante fechara para as minorias, para a fragmentação ideológica. Os Estados Unidos, em diferentes momentos e participações, assassinou negros e asiáticos, perseguiu intelectuais e artistas de esquerda e padronizou o comportamento de seu povo. Adorno, perspicaz sociólogo da Escola de Frankfurt, percebeu a ligação entre o cinema e os meios de comunicação americanos e algumas artimanhas do nazismo. Ambos tinham como intuito a necessidade de adesão a uma ação de uniformidade e idolatria. A diferença entre os dois movimentos se deu na forma como a mensagem chegou aos receptores. Se na Alemanha, o imperativo da repressão social e da coerção física foram motivações para a aceitação dos preceitos arianos, nos Estados Unidos do American way of life, o público se contagiou com as mensagens através de uma imposição binária: ou você fazia parte do sistema, agindo ou possuindo coisas, elogios e críticas aos mesmos assuntos, da mesma forma; consumindo  produtos oferecidos pela TV, indignando-se com os sujeitos retratados em programas de rádio ou reproduzindo o estilo de figurino do cinema; ou você estava fora, era um marginal, com os melhores postos de trabalho recusados, com caras horríveis e fofocas implacáveis destruindo seu caminho.


Allen Ginsberg não teve filhos, mas sua genética espiritual se espalhou por todas as dimensões possíveis, do globo e da mente de gerações que o acompanharam ( e o acompanham). Geminiano (3 de junho de 1926, Newark - Nova Jersey), evocou o avatar de seu signo solar com força: foi poeta, músico, jornalista, professor, ativista e homenageado nos Estados Unidos e em Cuba. Criou redes em várias partes da sociedade americana e mundial, tornando-se uma espécie de embaixador das artes, da liberdade e da psicodelia. Allen não sentia-se envergonhado com sua homossexualidade, nem com seu modo vagabundo de viver a vida, muito menos com seus amigos drogados e transviados. Nos anos 1960, em várias manifestações fundantes do movimento hippie e da revolução cultural, nas quais cinco ou dez pessoas envergonhavam os transeuntes com cantos e cartazes, lá estava ele. Em 1965, Ginsberg foi convidado à Tchecoslováquia, onde fez pequenos recitais de poesia em Praga e Bratislava. Segundo Rego Costa, ele foi "recebido com grande alegria e coroado como o Rei de Maio, no Festival de Maio, uma tradição universitária local, não foi nada bem-vindo pelo governo linha-dura da época que termina por expulsá-lo do país (em 7 de maio de 1965) sob a acusação de uso de drogas, embriaguez em público e pelo caráter licencioso e moralmente degradante de seus textos".

A Alvorada Beatnik

1955 - São Francisco, Califórnia. Em uma noite, a bela madrugada em que a Beat Generation se tornaria símbolo para a intelectualidade americana dos anos seguintes, Allen Ginsberg, judeu e ex-interno de um hospital psiquiátrico, declama para o delírio de Jack Kerouac (que não leu absolutamente nada nesta noite, apenas distribruíu vinho e maconha para a platéia), na Six Galery, o Uivo (Howl), poema-evangelho da contracultura. Com um início de arrepiar pêlos escondidos:

Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus Cérebros ao céu sob o Elevados e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes (...)


Um outro poema famoso é Kadish, uma homenagem à mãe esquizofrenica, além de América, onde critica com extrema lucidez o modo de vida americano e suas contradições:

América eu te dei tudo e agora não sou nada.
América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro de 1956.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal.
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
(...)

Nos anos 1960 começa projeto de musicalização de obras do poeta William Blake, Songs of Innocence and Experience by William Blake, tuned by Allen Ginsberg que permaneceu até seus últimos dias.



Com extrema notoriedade durante as lutas contra a guerra do Vietnã, Ginsberg acabou se aproximando e sendo aproximado a diversos artistas que se tornaram famosos. Jim Morrison dizia ler Ginsberg antes de dormir; Lennon gravou vídeos experimentais; Bob Dylan, Paul McCartney e o The Clash gravaram músicas em conjunto com o poeta.



Ginsberg muito mais do que a alma artística, possuía o espírito "beat" - arte, política, ação! A poesia não é um quadro na parede, mas a tinta eterna que nunca seca!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

RIRKRIT TIRAVANIJA







"Uma bancada com crepes, cercada por uma mesa invadida pelos visitantes... Diante de uma obra que consiste essencialmente no consumo de um prato, e por meio da qual os visitantes, tal como o artista, são levados a executar gestos cotidianos, onde termina a cozinha e onde começa a arte?" (BOURRIAUD, Pós-produção, Martins Fontes)
O que muito me interessa nesse tipo de trabalho é a compreensão de que, apesar de Tiravanija preparar e servir comidas em algumas de suas obras, como em Untitled (one revolution for minute), ou na cantina itinerante, intuímos de imediato que a arte não reside no prato, o que poderia ocorrer se fosse um trabalho de gastronomia propriamente dito. A arte tampouco reside na preparação da comida, mas sim na interação entre as pessoas que tiveram a sorte de participar de uma destas ações. Na atividade humana de produzir e consumir e a partir deste consumo, produzir novos significados. Bourriaud nos fala de Tiravanija como um artista com vontade de inventar novos vínculos entre as atividades artísticas e as atividades cotidianas (ouvir música, comer, descansar, conversar). Ele cria espaços de sociabilização precários, nada duradouros, mas eficazes porque irão privilegiar o contato humano e ao mesmo tempo expor as noções de comunidade e do efêmero.

Ora, vivemos atualmente num esquema social que se transforma a partir das conexões de rede, das transmissões eletrônicas de informação e dos contatos invisíveis e de curtíssima duração, mas mesmo assim, conseguimos dar conta de nossa existência coletiva de forma satisfatória e apenas seguimos o rumo das transformações humanas, sociais e tecnológicas. É que apesar da internet, do automóvel, do telefone celular, do computador portátil, ainda assim, comemos, dormimos, conversamos, amamos e sonhamos.

domingo, 19 de setembro de 2010

Márcia X.

Marcia X. foi uma das importantes mulheres artistas brasileiras. Iniciou sua carreira em 1980 com a performance Cozinhar-te e até seu desaparecimento, em 2005, desenvolveu um trabalho memorável com performances, instalações e objetos.

Desenhando com terços (2000-2003)



Cair em si (2002)
Exibição da videoperformance na 7a Bienal do Mercosul



Complexo de Alemão (2002)





















Reportagem sobre a performance Complexo de Alemão de Marcia X. reperformada por Ricardo Ventura na abertura da 7a Bienal do Mercosul, no Armazem A3 na Mostra Absurdo. Aqui.

Página web sobre Marcia X.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Marina Abramovic



Marina Abramovic, what is performance art?




The artist is presente, MoMa 2010



The other artist is present - Abramovic e Amir Baradaran



Terence Koh entrevista Abramovic




Marina Abramovic spirit cooking

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Imagens da UFJF

Na página Análise de imagens, deste mesmo blog, disponibilizo as imagens que serão trabalhadas na aula do dia 08 de setembro.


Imagens para aula de desenho livre para arquitetura (UFJF)
Fotos UFJF 1
Fotos UFJF 2
Fotos UFJF 3
Fotos UFJF 4

terça-feira, 4 de maio de 2010

Bauhaus: muito mais que cadeiras e luminárias


Oskar Schlemmer, Slat Dance, 1916-22

Quando estava preparando a aula de Bauhaus encontrei-me com Oskar Shelemmer e desta vez me apaixonei. Me admirei por nunca ter dado atenção à este artista excepcional. Ele deu a disciplina "O homem", obrigatória ao 3 semestre, duas horas semainais.
Começou com representação e desenho do corpo humano e desaguou no mar de conhecimentos que dizem respeito ao homem, desde espaço até coisas e pensamentos.
O que seria traduzido por transformação do corpo humano em cenografia a partir de leis do espaço cúbico circundante, leis funcionais do corpo em relação ao espaço, leis do movimento do corpo no espaço e formas metafísicas de expressão!!!!

O trabalho que este artista desenvolve me comoveu e fez com que a Bauhaus ganhasse um lugar mais honrado no meu caderno de coisas que mais gostei de aprender.





Downlod para aula BAUHAUS

Downlod para aula arte abstrata na modernidade

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arte Grega



Download da aula

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Existe vida inteligente na Linha do Tempo?

A linha do tempo é uma faca de dois gumes. Nós professores de história da arte (principalmente da antiguidade à modernidade) costumamos usá-la constantemente como recurso didático para auxiliar o aluno no estudo dos movimentos e escolas artísticas que ocorreram ao longo dos séculos em determinados lugares do mundo. Tal instrumento, tende porém a ser transformado pelo aluno numa espécie de tabela periódica das artes; ou seja, sempre haverá uma dúvida cuja resposta sempre estará nas entrelinhas da mágica Linha do Tempo, independente da natureza formal ou conceitual da questão formulado. Oh oráculo da arte, que me mostra com certeza tudo que aconteceu lá e acolá, naquele ou neste tempo em questão...
Ledo engano, ela faz parte de um sistema de ensino que limita o fenômeno da arte e o fato histórico a determinado período de tempo e o circunscreve em determinado espaço específico. Santo Deus, podemos estudar ARTE dessa forma? Pra começar, o que e arte? No século XIX o estudo das arte estava plenamente inserido no estudo da história da arte seguindo a lógica temporal. Isso fazia muito mais sentido naquela época que atualmente. Naquele momento o mundo era menos complexo porque o mundo estudável era menor, havia menos variáveis, menos coisas que despertavam interesse de estudo ou que eram dignas de estudo ao homem esclarecido. O que era apócrifo era banido e interessava apenas aos loucos e desvairados; ou seja, no nosso caso, só existia a Europa e alguns siítios exóticos que chamaram a atenção do mundo europeu como lugares onde se produziam objetos de arte e cultura de um modo geral. Cultura era somente aquela que era escrita e erudita e era bem mais fácil definir reconhecer obras de arte, afinal, não existia nada que fosse muito diferente de pintura, escultura e arquitetura (Bellas Artes). O discurso histórico, lógico e concreto era suficiente para dar respostas satisfatórias. Não existia nada de importante além do que estava registrado nos livros escritos pelos enciclopedistas de pele branca e de olhos claros. Assim era moleza!

Atualmente sabemos que nada no mundo é exato, nenhum fenômeno foi ou é constante e nem mesmo podemos ter certeza do que vemos ante os nossos olhos. Agora peguem tudo isso e levem para o contexto da arte, algo que por si só já é dificil demais de se definir e de se entender, algo que vai muito além do objeto e da função. Algo, cuja melhor definição é ser algo.

Digo tudo isso para alertar que a linha do tempo, que apresentarei com muitas ressalvas abaixo, em resposta à demanda de alunos e de leitores deste blog, é apenas um dos inúmeros recursos que utilizamos para conhecer a arte.
Será bem simples, e talvez assim deva sê-lo, pois torná-la muito complexa poderá dar a ela mais importância do que de fato merece.
Esta aqui servirá para termos uma noção básica e superficial do que foi a evolução das artes visuais em parte do mundo ocidental. Nunca devemos esquecer que a história foi contada por fulanos e isso quer dizer que se tivesse sido contada por sicranos teríamos, possivelmente, uma outra configuração de linha do tempo!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Alessandro Correa, santos e monstros

Este é o novo projeto do ilustrador e artista gráfico Alessandro Correa: Tentações de Santo Antão, em 3D anaglifo. Isso mesmo, pra ver com os óculos vermelho e azul!!! Premiado no último festival do minuto com "Os Últimos 40 segundos de Dr. Jekyll & Mr. Hyde", ele trabalha muito bem com colagens e tem um repertório de imagens fantástico, além de ser um desenhista supimpa!

video

Mais sobre ele no link

quinta-feira, 25 de março de 2010

Arte ou Design, aquesta és la qüestió


Lucy McRae e Bart Hess

Imagine que você é uma imagem e como tal pudesse escolher entre ser um trabalho de arte ou ser uma peça de design? Ser design hoje em dia é bem legal, certo? Se você fosse peça de design estaria nos melhores espaços virtuais, frenquentaria os lugares mais sofisticados, teria informação tecnológica atualizada! Seria inteligente, se quisesse, ou poderia fazer a linha bobinha-mas-linda-de-morrer se assim preferisse! Estaria sempre em forma, seu visual seria o máximo, "forever beautiful, forever frozen".... Outra grande vantagem de ser design é ser carismático, todo mundo te adora, te deseja e você pode até escolher entre ser realmente popular ou fingir que é acessivel, sabedo que, na verdade, não é pra qualquer um não.
E o melhor de tudo: acreditar-se realmente útil! adeus divã!
Agora como é ser arte? Apesar de seguir uma linha (ainda) bem elitista, é (ainda) uma boa opção de vida para uma imagem, sem dúvida. O caminho é mais experimental, não há certo ou errado nesta trilha (olha que beleza! E isso não pode acontecer se você quiser ser design). Outra grande vantagem é que, para ser arte, nem é mais necessario ser bonito - lembre-se dos séculos passados quando a única carreira digna para uma imagem era estar de acordo com as chamadas Belas Artes. Durante muio tempo, a beleza foi o fio condutor das artes, porém agora tudo mudou, pode ser feio, pode ser lindo, pode até não ser nada disso que você está pensando! muchas gracias Duchamp e adeus divã outra vez!!!
Mas não é tão fácil assim não!! Não basta poder-não-ser quando você tem a obrigação de ser inteligente, de preferência brilhante. Tem que saber se explicar, ou melhor, tem que estimular a reflexão. Não pode ser superficial de jeito nenhum (isso seria um problemão para alguns, haha). A questão é que um é múltiplo e o outro é multi... dificil saber quem é quem. Claro que isso é uma generalização, uma setorização vulgar mas eficiente em termos de compreensão inicial.

Melhor ainda se pensarmos nas coisas assim: dois grupos com especificidades definidas (Artes e Design) que se aproximam e se misturam cada vez mais. O Design é o grande agregador de imagens em nosso tempo e a Arte se torna um imenso jardim de idéias, muito além da imagem. Nosso papel é buscar os frutos deste cruzamento, os herdeiros, os híbridos, os mestiços. Isso é cultura visual contemporânea. É disso que eu gosto.

Aproveite e vote na enquete ao lado que fica ativa até junho de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cubismo ou picassismo?


Picasso, cubismo sintético

É brincadeira. O cubismo, movimento das vanguardas européias (1907 a 1914 aproximadamente), transcende Picasso. Temos Braque, por supuesto, temos o grupo "rival" de Puteaux, com artistas como Gleizes, Metzinger e os irmãos Duchamp (quem diria que Marcel Duchamp, um dia, achou que seria cubista!!), e também temos Delauney, temos Léger, Juan Gris, Kupka, etc.etc.etc.etc. Sem falar nos pseudocubistas das Américas, alguns tão bons quanto os originais.


Raymond Ducham- Villon, O grande Cavalo, 1914


Kupka, Discos de Newton, 1912

Porém é comum misturar o cubismo com o Picasso. E em defesa do artista (ou do movimento), é bom lembrar que sua obra se extende muito muito muito além do cubismo!


Picasso pós-cubismo


Picasso pós-cubismo

Também é importante saber que alguns cubistas (ou picassistas) foram mais cubistas que Picasso e Braque (os fundadores). Com assim Priscilla, explique-se melhor! - Quero dizer que alguns deles foram mais comprometidos com a causa cubista, mais eficientes na difusão das idéias cubistas pelo mundo moderno, que os próprios papais do movimento. Metzinger foi um que se dedicou veramente ao cubismo, mesmo que sua motivação se explique pelo desejo de ser reconhecido e de vender quadros (e neste aspecto, não fez nada muito diferente do que fez Picasso, porém com estratégias de auto-promoção distintas).


Metzinger, Aldeia, 1912

Ao estudarmos a história do Cubismo descobrimos que há também quem fez muita confusão, seja sem querer, como o proprio Apollinaire, que errou feio em algumas de suas análises; seja por querer, como Picabia, que por pura chacota, convenceu os norte americanos, deslumbrados e chocados em pleno Armory Show, ser ele o grande mentor cubista na Europa (TOMKINS, Calvin. Duchamp. Cosac & Naify)!!

Este post celebra o cubismo por algo muito importante que foi inaugurado a apartir de seu conjunto de obras, ou seja, as novas possibilidades na representação bidimensional. O golpe na supremacia da perspectiva como única forma correta de se representar as coisas no espaço pictórico, foi o primeiro passo para novos caminhos como a expansão da abstração na arte moderna, os novos valores espaciais na escultura e na pintura, as representações pluridimensionais, novas linguagens como a colagem, etc.


Delaunay


Colagem de Picasso


Colagem de Braque

O cubismo foi realmente inovador e muito essencial para a grande maioria das vanguardas artístiscas que irão se aproveitar destes ou de outros grandes momentos desse breve movimento francês.

Mais na Aula:
Cubismo I
Cubismo II

segunda-feira, 22 de março de 2010

iniciação ao estudo das artes e das imagens


Duchamp, redes de stoppages

Estudar artes é uma coisa, estudar as imagens é outra coisa mais ampla ainda.
O estudo das artes está contido, em partes, no estudo das imagens. E o estudo das imagens transcende o das artes.
Isso não quer dizer que uma coisa é melhor ou pior que a outra. São apenas universos discursivos que às vezes se encontram de forma excepcional e outras vezes se afastam.
Parece incrível, mas atualmente, e cada vez mais, estudar artes não significa mais, em muitos momentos, analisar imagens; como também estudar as imagnes não requer, necessariamente, a recuperação de modelos ideias no mundo artístico.



Essa aula inicial do curso de historia das artes quer responder a uma série de primeiras perguntas do indivíduo que pela primeira vez começa a se interessar pelo assunto das artes. Perguntas bem básicas como quando aconteceu a arte moderna? o que são as linguagens na arte? o que são os estilos? arquitetura é arte? desenho é arte? etc etc etc...............

É claro que ajudará muito recuperar o que conversamos em sala de aula, mas para aqueles que apenas acompanham o blog, vale a pena fazer o download da aula e apenas observar as imagens, quaquer dúvida ou comentário estou a disposição, deixe comentários!

Download da AULA

Antigo Egito


Imagem retirada de Livro dos Mortos: Anubis, o Deus da Morte, mumificando o Faraó.

O Antigo Egito desenvolveu uma arte fundamentalmente funerária e religiosa, de extrema rigidez estilística cujas imagens tiveram, não só o papel de registrar os feitos e a vida de grandes reis e príncipes, mas também de instruir seus espírios, também chamados de Ka ou Ba, à vida após a morte do corpo.


Representação do KA (braços em forma de U)

O tamanho rigor da cultura visual Antigo Egito advém de uma sociedade extremamente rígida em todos os aspectos politicos, econômicos, religiosos e culturais. Durante aproximados 40 séculos, as formas de representação seguiram um padrão mais ou menos similar em termos de hierarquia, temática, técnicas e valores formias presentes nas imagens criadas.
O melhor exemplo é o conjunto de regras de representação que chamamos de Leis da frontalidade.

Pelas leis da Frontalidade representado deveria estar imóvel (mesmo quando fosse pintado em movimento!!), o tórax deveria ser representado sempre de frente, a cabeça de perfil, o olho de frente, os pés e mãos de perfil mostrando apenas um dos lados, direito ou esquerdo. Homens tinham a pele mais escura que as mulheres, os tamanhos dos retratados seguiam leis de hierarquia social e não de escala humana real, não havia preocupação alguma com a representação do espaço tridimensional, e assim por diante.


Regra da forntalidade


Frontalidade de tronco, cabeça de perfil, olhos de frente, ambas as mãos são direitas.


Detalhe mostrando os pés, ambos são os pés esquerdos, observem o dedão.


Hierarquia na escala humana. Observe que as escravas são bem menores que a provavel princesa representada muito maior. Outra curiosidade é que quanto menor for importância social do pessoa pintada, menos rígida será sua representação. Veja que as escravas tampouco são pintadas segundo as leis rígidas da frontalidade, se movem mais, têm o tórax em perfil, etc.

Mas apesar das leis rigorosas na representação encontraremos na arte egipcia imagens de extrema beleza, criativdade e carredas de significados mágicos e religiosos.


Jóia de Tuntakamon com símbolos religiosos do Egito antigo: escaravelho, falcão, Globo alado (acima do escaravelho/falcão)


Isis, pintura de um sarcófago.

E como toda regra tem sua excessão, houve um momento revolucionário atualmente identificado como período amarniano. Akenaton, ou Amenophis IV, foi um faraó visionário que virou o Egito de cabeça pra baixo. Sua nova abordagem religiosa faz com que, pela primeira vez na história antiga, o homem viva a experiência do monoteísmo com o o Deus único ATON. E também, pela primeira vez na história, temos uma cidade projetada, Tell-AMARNA.


Simulação 3D do que pode ter sido Amarna.


Amarna nos dias de hoje

O período amarniano é marcado por uma arte muito mais livre e menos dogmática do que tudo que havia sido produzido antes no Egito. Porém, com o desaperecimento de Akenaton, tudo volta ao normal, Amarna é destruída e abandonada, Tebas volta a ser centro econômico e capital do Egito, os antigos deuses voltam a ser adorados e a arte é novamente feita segundo as leis rígidas da frontalidade.


Akentaon e Nefertiti, o faraó e sua rainha, período amarniano.

AULA PARA DOWNLOAD

Imagens primitivas ou arte primitiva?


Serra da Capivara - Piauí

Desde o início da vida humana na Terra as imagens fizeram parte da relação homem e natureza. Porém, a pesar da enorme tendência que temos de encarar qualquer boa imagem como obra de arte, aquele caçador paleolítico que pintou ou rabiscou o bisão, o cervo ou deixou a marca de suas mãos no fundo de cavernas africanas e européias, não fez isso pensando na arte. A arte como produção de imagens com a finalidade de causar gozo estético, ou cujo objetivo é o deleite visual, só vai acontecer tempos mais tarde a partir principalmente da civilização grega.


Bisão paleolítico das cavernas de Lascaux (França)

Mas, realmente, desenhar fez parte da agenda do homem desde tempos imemoriais, numa época em que sobreviver era talvez a coisa mais importante a se fazer, por isso é muita aceita a teoria de que as pinturas e desenhos tenham uma forte relação com as estretégias de sobrevivência do homem primitivo. Nesse sentid acredita-se que as primeiras imagens tinham um objetivo mágico. Isto é, ao pintar a imagem do animal o caçador estaria capturando também o animal verdadeiro, apreensão da coisa real ela manipulação de sua imagem.


Pintura rupestre africana

Isso explica, entre outras coisas, a característica realística das imagens mais antigas em comparação com a simplificação estética que ocorreu com o passar do tempo. Ou seja, enquanto as imagens tinham a responsabilidade mágica de funcionar como armadilha para o objeto (animal) real, quanto mais semelhantes com a realidade, mais eficaz seria a magia; e a medida que o homem desenvolve as noções de religião, de sagrado e de profano, algumas noções se tornam mais abstratas, e as imagens se tornam mais simbólicas e por isso podem ser mais simplificadas, expressivas e impressionistas.



É também neste momento que vemos o homem começar a retratar-se mais...



Do naturalismo o homem primitivo caminha para a produção de imagens que por vezes são tão enigmáticas que seu significado está perdido no tempo...



Para saber mais faça o download da aula aqui!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Graffiti & Guerrilla: comunicação visual na cidade contemporânea

A guerrilla é um fenômeno que desorganiza a programação visual institucionalizada pela industria cultural e pela sociedade de consumo nas cidades contemporâneas. Usando recursos semelhantes aos da publicidade, a guerrilla é inovadora pois faz da transgressão seu melhor aliado, seja por ocupar espaços proibitivos, seja por se apropriar, traduzir e esvaziar os meios de comunicação de massa de suas funções originais. Podemos entender a guerrilla como conjunto de interferências visuais urbanas, contemporâneas, realizadas por coletivos ou indivíduos anônimos em sua grande maioria. Pode apresentar-se na forma de pinturas, adesivos, cartazes ou panfletos, podendo chegar algumas vezes à forma de interferências tridimensionais, ocupando atualmente um lugar importante no cotidiano de nossas vidas urbanas.




Se a publicidade, por um lado, tem lugar em um quadro perfeitamente delimitado – lugares institucionalizados e pagos que lhe conferem autoridade e legitimidade para existir no entorno urbano e humano; já os modelos de interferências urbanas informais e artísticas se caracterizam pela ausência de um marco próprio, e isso já constitui sua especificidade, um elemento importante de sua concepção tornando-se, pois, mais um atrativo que uma deficiência. Neste sentido, detectamos um uso indiscriminado do espaço público que acaba por ser transgressor ao passo que se apropria de superfícies públicas não destinadas para estes fins: desde paredes de edifícios, até espaços publicitários reservados, ou mobiliário urbano (orelhões, pontos de ônibus, caixas de correios, etc.) e em casos extremos em monumentos e em patrimônio público. Algumas interferências, por terem um aspecto estético mais atraente que outras, costumam ser mais toleradas.. Porém, a guerrilla realiza sua tarefa reivindicativa e assume seu verdadeiro caráter transgressor diante de uma sociedade que determina praticamente todas as formas de atuação e de comunicação: controlando os meios de comunicação existentes, controlando o que podemos dizer e o que não podemos, até onde podemos dizer e onde não podemos.
Atualmente, as associações entre guerrilla, graffiti e arte pública produzem mais sentido do que nunca, uma vez que as formas de produção visual contemporâneas não têm mais que responder a um modelo de narrativa fechado e excludente. Assim, graffiti, guerrilla e arte se tornam expressões híbridas e podem ser analisadas e diferenciadas, se necessário for, a partir de elementos que a própria arte vem apropriando para si.

Para download aula graffiti e guerrilla

Veja também o video "1week of art":

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Olympia e a Modernidade





Atualmente há um certo consenso entre críticos e historiadores (entre eles o próprio Greenberg) em aceitar que um dos artistas precursores do modernismo foi Manet com sua bela e polêmica Olympia.
A ainda bela Olympia já não é mais polêmica no século XXI. No entanto, em sua época, causou escândalo e admiração mais por sua forma do que pelo seu tema propriamente. É certo que a pintura representa possivelmente uma orgulhosa prostituta, nua, em uma cena doméstica; talvez isso pudesse incomodar os mais puritanos, a crueza dos fatos. Por outro lado, este não era um motivo convincente para se justificar tanta repugnância. A arte, e sobretudo a pintura, estava mais que acostumada a lidar com mulheres nuas e sedutoras que, de frente, de costas, ou olhando bem dentro dos olhos do observador, se ofereciam sem nenhum pudor ao consumo. Mesmo que aparecessem protegidas sob a legenda de vênus, madalenas, etc., cumpriam semioticamente o mesmo papel de objeto na cultura masculina do ocidente.

Abaixo alguns bons exemplos. O primeiro deles, a famosa e respeitada Vênus de Urbino de Tiziano foi sem dúvida uma referência iconográfica das mais importantes para Manet pintar sua desavergonhada Olympia:








Então qual seria o motivo real para tanto desconforto? Para responder a essa pergunta devemos pensar sobre o que era a pintura naquela época.
Manet viveu os últimos tempos de uma época em que a boa arte era definida por sua eficiência na representação do mundo exterior. Nesse sentido, a pintura, especialmente ela, deveria funcionar como uma passagem fantástica para a ilusão tridimensional. Toda imagem ali pintada, além de ser representação do “mundo real”, deveria levar o observador horizontalmente para dentro do quadro, como um corredor, ou um buraco ilusório na parede. Para tanto, os artistas tinham duas ferramentas importantes e fundamentais: a perspectiva e a técnica de claro-escuro (luz e sombra). A primeira garantia essa horizontalidade para dentro da tela e a última transformava as cores chapadas em verdadeiros volumes tridimensionais. Essa era a receita de uma obra de arte.
A transgressão de Olympia está na maneira como Manet a pintou.
No detalhe abaixo podemos observar a forma como a tinta cobre a tela – não há mais um trabalho virtuoso de degradês na passagem da luz para sombra. O artista passa de uma cor a outra sem muita preocupação em “lamber” a tela até que a marca artificial do processo desapareça. Muito pelo contrário, começa a tornar-se pouco a pouco mais visível, as tintas e as pinceladas. Manet nem se preocupa em fazer desaparecer a linha escura que contorna o corpo da modelo. Essa linha pornográfica foi o que tornou Olympia a mais devassa das pinturas de sua época!



É claro que não podemos negar que, além disso, Olympia de fato se apresenta com uma sexualidade feminina no seu aspecto moderno: viril, ativa, agressiva. Isso também incomodou.
A modernidade de Olympia, segundo Fer, está na combinação de um tema problemático e modo de pintar desconcertante. E está também na incapacidade da crítica da época de reconhecer sua singularidade.
É como se Olympia pudesse ser comparada a uma frase cujas palavras são inteligíveis porém a gramática está errada. Em “bom” português seria algo assim “fui no cinema e vi que não tinha trago a bolsa.”

Download da aula Modernidade e arte moderna
Bibliografia:
FERREIRA, G. & MELLO, C. C. [org], Clement Greenberg e o debate crítico, RJ: Zahar
FRASCINA, F.; BLAKE, N.; FER, B.; GARB, T.; HARRISON, C., Modernidade e modernismo, SP: Cosac&Naify

Expressionismo


Emil Nolde, Crucificação, 1912

Este post é especialmente interessante para quem está começando a estudar a arte moderna. Segundo a lógica da História da Arte ocidental, a grande maioria da informação sobre movimentos artísticos na modernidade diz respeito a uma série de movimentos chamados Vanguardas Artísticas. As Vanguardas aconteceram no início do século XX na Europa e constituem um conjunto de ações e manifestos ligados às novas formas de concepção e fruição da arte. Mas apesar da mudança de postura que se formou então, dentro e fora da arte – a demasiada importância aos aspectos da representação naturalista do mundo exterior cedeu lugar à demasiada importância aos aspectos formais da obra e a uma subjetividade na representação – o produto destas Vanguardas não foi diferente do produto da antiga arte, isto é, obras de arte.
Algumas mais influentes que outras, as Vanguardas tiveram um papel importante na distribuição da ideologia modernista pelo mundo não europeu. Um bom exemplo deste imperialismo vanguardista foi a influência, quase absoluta, que os artistas do modernismo brasileiro sofreram na produção de seu repertório visual. As fontes viriam principalmente do movimento cubista e expressionista.
(Ismael Nery)


Kirchner Cartaz da Ponte


O primeiro movimento da Vanguarda que vamos estudar é o Expressionismo.
O expressionismo aconteceu em vários períodos da primeira metade do século XX e também em vários países. Porém os principais berços expressionistas são a Alemanha e a França. Na Alemanha foi onde o movimento se desenvolveu pelo menos em 3 momentos distintos e com características também singulares a cada período histórico (A Ponte, O Cavaleriro Azul e Nova Objetividade); e na França, apesar de breve, desenvolveu-se um expressionismo (Fauvismo) que foi muito influente no movimento moderno do Brasil.


Kirchner - Alemanha - A Ponte


Otto Dix - Alemanha - Nova Objetividade


Matisse - França - Fauvismo

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aula 1
aula 2